domingo, 27 de outubro de 2013

Martini, xadrez e a vida

Você tá jogando usando apenas seus peões enquanto bebe um Martini, ouve um rock indie e conversa com alguns amigos. O seu adversário tá ficando cada vez mais agressivo e agora você tem que partir para o ataque deixando a defesa de lado. Do nada, a música para e você olha para ver quem fez aquilo. Não tem ninguém ali. Você quer se levantar para ver se todos saíram de uma vez ou é só uma pegadinha, mas o adversário está lá e você não quer perder essa partida. Ao menos o Martini ainda tá ali e você vira-o de vez, se embriagando para tentar que assim o jogo fique mais interessante. Só que ele não fica. Depois de ter perdido sua rainha e duas torres você lembra que não sabe com quem está jogando. Você tenta olhar com toda a força e vontade que tem em você, inutilmente ("bendita hora que eu virei aquilo", você pensa). Lá se vai mais um bispo e você consegue ver que o adversário tem uns traços familiares ("PERA, SOU EU", você pensa e se assusta). Aí, você toma formas e com poucos peões que lhe sobraram e muita vontade dentro de si, você monta em seu cavalo, guiando o outro pela rédea, e bravamente invade o território alheio e resgata sua rainha. Ela monta no outro cavalo e diz que sabia que você ia conseguir sair dessa. Você corta a cabeça do rei com toda a pompa que poderia ter e ganha o jogo. 

A comemoração é regada ao Martini que ainda tinha sobre a mesa. Então, você percebe que não tem o que comemorar já que você também perdeu. Este era um jogo que você jogava sozinho. Ninguém voltou para te dar os parabéns e tudo o que você tem é uma garrafa vazia.

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