sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fuga



5h - Plataforma 7. Ônibus 768. 13 de Agosto de 2010.
Amanhã eu vou embora, acabei de fazer as malas e agora apenas espero o passar das horas. Em pouco tempo estarei longe e a última visão dessa cidade será a estrada que me leva até a saída.
Quando vier o novo dia e meus pés tocarem o chão da cidade sonho, sei que todos os problemas terão ficado para trás. Lá, eu sei, não terei que conviver com a estupidez dos que me cercam aqui e finalmente estarei a salvo das conversas vazias que me atingem logo nas primeiras horas da manhã, arruinando meu humor e meu dia, essas conversas que não são suas, esses estúpidos que não cometem os seus erros.
Vou embora e espero deixar aqui a lembrança monocromática de tudo que me tocou depois que você se foi, depois que você mudou pra casa ao lado e distanciou-se quilômetros do meu coração. Ah, que bobagem remoer minha alma num ciclo de culpa e conforto, nessa prisão que tornou-se o palco dos nossos sonhos. Prefiro, então, ir, ir em frente, assim como manda aquele escritor e eu faço sem pensar muito, como quem já não controla suas próprias vontades, e é isso mesmo.
Talvez eu já não queria mais ir, já não sei o que estou fazendo, eu realmente não sei. Corro. Corro e posso sentir cada músculo das minhas pernas sugando minhas forças, mas continuo, sei que parar já não é possível. Corro. Ultrapasso barreiras e penso estar longe o suficiente, distante de toda imagem que remeta aos seus olhos, esses lagos profundos, calmos, perigosos. Parece difícil e é, mas eu ando mais rápido que achei que conseguiria, tudo pra sumir daqui, disso tudo, desse escuro que se tornou a vida.Corro.
Corro mas é impossível, eu não consigo sair daqui.
De mim.

Thainá Carline

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